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+ Orgânicos – Lixo + Saúde

Já falamos aqui na Revista Bora?! sobre a importância do uso integral dos alimentos para  combater o desperdício, um tema muito abordado nos dias de hoje, além de ser considerado o quarto produtor mundial de alimento, o Brasil é o sexto em número de habitantes que estão vivendo em condição de insegurança alimentar. A média mundial, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é que um terço dos alimentos produzidos se perde, ou seja, são jogados no lixo.

Isso acontece pois, de acordo com os dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 10% do desperdício das frutas e hortaliças ocorre ainda no campo e pior, 50% está no transporte, fora o que desperdiçamos em nossas casas. Portanto, o desperdício começa no campo e termina na mesa do consumidor. Se metade do que é perdido deixasse de ser, teríamos o dobro de alimento, o preço cairia e mais pessoas teriam acesso. Pronto! Agora você deve estar pensando: o que poderíamos fazer para diminuir esse impacto nutricional, social e ambiental?

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou um vídeo que alerta sobre os custos e as perdas do desperdício de alimentos no mundo. Este faz parte da campanha “A Pegada do Desperdício de Alimentos” (Food Wastage Footprint) da ONU.

 

Esse vídeo nos ajuda a refletir sobre como poderíamos auxiliar desde o plantio, transporte, consumo até o descarte dos alimentos! Como a maior perda fica no transporte, se optarmos em consumir alimentos de produtores locais, além de reduzir o desperdício, estaríamos impulsionando a economia local pela diminuição das distancias entre o produtor e o consumidor. Massa! Já estaria bom. Mas pensando mais afundo, essa atitude pode contribuir muito mais!

Consumindo alimentos locais e da safra, você estará respeitando o ciclo natural do amadurecimento das frutas e hortaliças, obtendo mais sabor e mais nutrientes. Imagina se for orgânico?! Você estará consumindo alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos!

Você sabia que nosso país encontra-se entre os cinco maiores consumidores mundiais de agroquímicos, os tais agrotóxicos, que a indústrias denominam “defensivos agrícolas,” mas que na verdade não passam de “venenos”? (Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS).

Os efeitos agudos ocorrem sobre a saúde dos trabalhadores que têm contato direto com o produto, na forma de alergias, espasmos musculares, náuseas, desmaios, vômitos, convulsões, alterações do sistema nervoso e danos ao aparelho respiratório. Os efeitos crônicos, por sua vez, são resultantes de uma exposição prolongada, a doses relativamente baixas de um ou mais agrotóxicos, em nós, consumidores! O que pode acarretar, a longo prazo, malformações congênitas, infertilidade e diversos tipos de cânceres.

Na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. Por isso o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor) desenvolveu a campanha “+ orgânicos por alimentos saudáveis e sustentáveis”.

Além disso, para facilitar ainda mais na busca por alimentos orgânicos e agroecológicos, o IDEC, juntamente com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, lançaram um aplicativo “MAPA DE FEIRAS ORGÂNICAS”. O objetivo deste é propiciar melhores escolhas alimentares, de forma rápida, e encurtar o caminho entre o produtor e o consumidor. O aplicativo encontra as feiras orgânicas espalhadas pelo Brasil que estão mais próximas de você, identifica receitas associadas a alimentos de época e regionais e apresenta informações interessantes sobre o ingrediente principal da receita.

 

Confira algumas dicas para fazer um bom uso dos produtos no âmbito nutricional e ambiental:

  • Planeje suas refeições, faça listas de compras, evite fazer compras por impulso. Não se deixe levar pelas propagandas que querem convencer você a comprar mais do que precisa.
  • Faça mercado com frequência: compra inteligente! Essa forma pode ajudar você a adquirir apenas o necessário, evitando o estoque de alimentos que acabam se deteriorando.
  • Tenha controle sobre a sua dispensa. Armazene os enlatados mais novos no fundo das prateleiras. Mantenha os mais velhos na frente para facilitar o acesso.
  • Escolha produtos com menos embalagens. Prefira produtos a granel para evitar potes e recipientes desnecessários. Evite produtos embalados individualmente, pois produzem mais resíduos.
  • Dê preferência às embalagens retornáveis ou que possuam refil.
  • Apenas plásticos, vidros, metais e papéis são recicláveis. É importante que estes estejam sem resíduos e sejam encaminhados para a coleta.
  • Se não puder fazer uma composteira, as cascas de alimentos e o pó de café, por exemplo, podem ser reutilizados como adubo para vasos e jardins.
  • Resto de ontem? Você pode transforma-lo em um prato diferente: arroz em bolinho de arroz; purê de batata em massa para tortas e pães…
  • Certos alimentos não suportam muito bem a temperatura ambiente ou o calor. Em vez de perdê-los, por que não congelá-los?

 

Por Andreia Cristina
Mestre em Alimentos e Nutrição – CRN 3/19360

Texto originalmente publicado na Revista Bora, edição 16, maio de 2016.

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