Especial

Cuidado Ambiental – Uma questão de saúde pública

Você aí… Oi!

É! Você mesmo!!! Como se relaciona com o lixo?!

Sim!!! Este é um tema recorrente e por ventura “chato”.

Partindo do pressuposto de que “não existe fora, do ponto de vista do planeta”, o lixo é responsabilidade de todo indivíduo, considerando que cada um de nós é um cidadão do mundo. E portanto, de suma importância saber que estamos na zona do perigo eminente e um passo à solução fluente.

Buscaremos apresentar aqui o verdadeiro tratamento, ou melhor, como tirar todo proveito daquilo que consideramos lixo, de uma forma bem simples. Mas antes, um puxãozinho de orelha: nós, seres humanos, nos tornamos indiferentes, e por assim dizer, ignorantes ao considerar um horror ou nojento algo consumido e processado por nós, para depois descartar. Aqui, uma parêntese rápido comparando o lixo com as fezes. Afinal, não seria similar? Pois o que “comemos” ou “consumimos”, logo em seguida se transforma em um bicho papão o qual somos incapazes de lidar com normalidade, respeito e consciência. “Que nojo! Esse lixo é uma merda!” E não nos interessa, afinal para onde vai a “merda” do “lixo”, contanto que desapareça de nossa vista, certo? Sim, infelizmente é assim. Mas…

ERRADO!

Ao tratarmos ambos com fobia e de forma desesperada, querendo nos “livrar”, sem o mínimo de planejamento, na realidade está se voltando contra nós. Como? Bom, o chorume e outros resíduos descem com as chuvas pela terra ou ruas, assim como as fezes via fossas, que acabam nos lençóis freáticos, rios e também no mar… Ou seja, poluímos nosso lar, o qual oferece nossa subsistência e lazer na pura ânsia de destratar o que mais desprezamos. Isso mesmo. Lixos e fezes neste caso são similares, por não darmos a devida atenção. Precisamos mudar a forma de tratar o que é produzido por nós, portanto, nossa responsabilidade.  Afinal, assim como as fezes são apenas o resultado do que foi ingerido por você, o lixo é apenas um resquício de comida, cascas de frutas e verduras, caixas ou embalagens de alimentos, portanto, nada de nojento. Se perceber, asqueroso fica quando não cuidamos e fica tudo misturado em sacos, esparramados nas ruas, remexidos por animais ou levados pela chuva. Aquela miscelânea exposta com perigo eminente de epidemias.

Desculpem, o assunto até poderia ser abordado de outra forma, mas a intenção é chamar a atenção. E de forma clara e objetiva apontar soluções práticas pra nos relacionarmos devidamente com a questão. Por hora, o LIXO.

Direto ao ponto, ou pontos:

A lixeira suspensa ou com tampa é a primeira atitude, cada casa instala a sua, ou reúne-se a verba de uma rua para instalar uma grande na esquina amparando o lixo coletivo.

Segundo, ter duas lixeiras dentro da sua casa para separar o lixo úmido do seco em sacolas diferentes. Assim o material que poderá ser reutilizado na coleta seletiva não será contaminado.

Lixo úmido são as cascas e restos de frutas, legumes, podas de jardim, guardanapos de papel… O lixo seco são as latas, caixas, garrafas plásticas e de vidro.  Veja na tabela abaixo alguns exemplos de materiais que podem ser reciclados. Pneus e tantos outros itens podem ser reaproveitados, em prol da arte ou como utilitários, há vários exemplos na internet.

Há quem fale: “Dá muito trabalho” ou “não ganho nada com isso”, e até “não tem coleta seletiva na minha comunidade”. Porém, significa somente uma singela mudança de hábito e já que é um cidadão, tem o dever de zelar pela saúde de todos. O que acontece depois de colocar o lixo pra fora é responsabilidade da prefeitura, e considere que existem catadores nos lixões à céu aberto. Sem desculpas hein?!!

Terceiro, considerar o reaproveitamento de tudo que for possível (seco e úmido). Desta forma, favorece o saneamento, reduz o impacto ambiental (utilização de energia e recursos naturais – matéria prima) e possibilita o aumento da renda extra familiar.

Na quinta edição da Revista Bora?! falamos sobre a compostagem doméstica que, com a reutilização da matéria orgânica nela depositada, forma um composto rico em minerais como o humos, utilizado como fertilizante. Desviar o seu lixo orgânico para uma composteira é simples e vai diminuir drasticamente a quantidade de lixo que você gera, é muito fácil:

Separe um canteiro ou utilize uma caixa grande furada. Coloque os resíduos intercalando o lixo orgânico com as camadas mais secas de folhas, serragem ou mesmo terra. Os alimentos são úmidos, mas confira para que não esteja nem muito seca, nem muito úmida, se preciso for, regue com água para mantê-la em equilíbrio, e lembre-se de revirar o recipiente com uma pá para arejar o material em decomposição a cada 15 dias

Em condições ideais de temperatura, ventilação e umidade consegue-se produzir uma “lixeira viva”, que consiste em despejar resíduos em um recipiente ou local que, com pouca interferência, é transformado em adubo orgânico. Com a compostagem, além de evitar a poluição, faz com que a matéria orgânica volte a ser usada de forma útil.

 

PODE COLOCAR NA COMPOSTEIRA:

• Frutas, legumes, verduras, grãos e sementes;

• Saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra de café e de cevada (com filtro).

• Sobras de alimentos cozidos ou estragados (sem exageros) e cascas de ovos.

• Palhas, folhas secas, serragem, gravetos, palitos de fósforo e dentais, podas de jardim.

• Papel toalha, guardanapos de papel.

Dica: Picar bem, quanto menor o pedaço, mais rápido é o processo.

 

NAO PODE COLOCAR NA COMPOSTEIRA:

• Carnes de qualquer espécie (mau cheiro, decomposição lenta e atrai animais)

• Laticínios (leite, queijo, manteiga), óleos e gorduras (mau cheiro e organismos in- desejados)

• Arroz cozido

• Papel higiênico usado

• Nozes pretas

• Serragem de madeira quimicamente tratada ou envernizada, pintada

• Carvão vegetal (possui enxofre e ferro)

• Fezes de animais domésticos

• Excesso de sal (sobras de comida muito gordurosa)

• Plantas doentes (transmitirá para plantas sadias)

• Trigo e seus derivados (pão, bolo, massas) (decomposição lenta e atrai animais)

Dica: Equilibrar com cal branco, serragem, folhas secas ou papeis quando achar que está muito úmida, ou molhar se achar que está muito seca.

Não é aconselhado colocar nada em excesso, monitore a sua composteira para adequar a quantidade de folhas e umidade.

 

Outra forma de reutilizar o que normalmente iria para o lixo é com receitas simples que utilizam as cascas de frutas e sementes, separamos duas para você testar em casa:

 

 – Receita de Geleia da casca do abacaxi

Se não podemos colocar a casca do abacaxi na composteira, por que não fazermos uma geleia? É muito fácil de fazer e pode ser uma excelente novidade no lanche da tarde.

Para preparar, basta deixar a casca do abacaxi de molho na água por 12 horas. Em seguida, bata essa casca no liquidificador e coloque o sumo em uma panela. Adicione açúcar e mexa até engrossar. Depois é só resfriar e consumir.

 

– Receita de Lasquinhas de laranja

Lasquinhas açucaradas de laranja também são uma delícia,  excelentes com café e chá ou coberturas de bolos.  A mesma receita funciona com limão, confira:

Corte a casca da laranja em tirinhas e coloque em uma tigela. Cubra as lascas com água e troque o molho, constantemente, por quatro dias. Com o calor, é mais aconselhável deixar o recipiente na geladeira para conservar o alimento e tampado para não pegar cheiro cítrico nos outros alimentos. No quarto dia, escorra a água e adicione as lascas na panela com açúcar. A proporção deve ser de duas xícaras de lascas para uma de açúcar. Não é preciso adicionar água porque a própria casca solta líquido. Mexa bastante até secar as lasquinhas; retire a mistura do fogo e conserve em um pote fechado.

 

É isso! Pequenas atitudes com iniciativa privada e pública unidas em benefício da saúde de todos. Então pessoal, tudo que vai, volta. Repensar e, com urgência, iniciar nossas ações em prol do bem comum é fundamental. Bora juntos nessa?!

 

Por Betta Alencastro.

Texto originalmente publicado na Revista Bora, edição 16, maio de 2016.

1 Comment
  • Reply
    admin
    julho 13, 2017 at 5:37 am

    Muito bom!

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