Animal

Abelhas

Quem nunca ficou desesperado com a presença de alguma abelhinha curiosa? O medo de algumas que podem enroscar no cabelo, outros tem pavor da picada, ou até alergia. Mas, a inofensiva abelha tem um papel fundamental no meio ambiente que é a polinização. Elas espalham beleza pelas florestas e jardins pois tem o papel na fecundação das flores através do pólen. Outra função desses insetos é a da produção do mel, bastante consumido por nós.

Da família das vespas e formigas, elas visitam cerca de 10 flores por minuto em busca de pólen e néctar, e com a língua os recolhem e armazenam numa bolsa dentro da garganta. Depois voltam à colmeia para que a água seja evaporada e seja transformado em mel. São criadas para produção de cêra e própolis, além do mel. No total de quarenta voos diários, 40 mil flores são visitadas e com isso são colocados em nossas mesas 5 gramas de mel por ano, por cada uma delas.

A estrutura organizacional delas é bem rígida. Funciona com a abelha rainha no topo da cadeia, responsável pela postura de ovos e controle das demais através do seu ferormônio. Se preciso for luta com outra rainha até que a sobrevivente domine a colméia. Formada por milhares de operárias e 400 zangões, a colmeia possui de 60 a 80 mil abelhas. Somente as fêmeas trabalham e os machos tem a liberdade de poder entrar em outras colmeias. Os zangões são os que fecundam a rainha. No voo nupcial, ela sobe o mais alto que conseguir para o macho que alcançá-la copular e não mais retornar para a colmeia. Eles também protegem a colmeia do ataque dos insetos, usando as presas para afugentar formigas e vespas.

A rainha, com o dobro do tamanho, vive até 5 anos, enquanto que as demais por 24 a 48 dias. São pequeninas, de 2 a 4 cm, porém ágeis e sensíveis. As antenas são responsáveis pelo olfato e tato, conseguem localizar flores distantes e ainda construir favos geometricamente per-feitos. Somente rainhas e operárias tem ferrões, utilizados para fecundar (no caso da rainha) e combater se preciso for. Sua ferroada é doída, como se fosse um choque. O ferrão fica preso na vítima e junto com ele algum órgão da abelha pode ficar grudado (pois o ferrão é a extensão do abdômen), causando a morte segundos depois da ferroada. O ataque “suicida” só acontece em caso de cheiros fortes, vibrações sonoras, ou para defender a colônia. Para nós humanos, somente um inchaço dolorido minutos depois da ferroada ou, em caso excessivo (muitas picadas) ou alergia, pode levar a morte.

Existem terapias utilizando ferroadas como medicina alternativa, a apiterapia. Aplica-se o veneno com a própria abelha tendo como função ativar o sistema imunológico, relaxar o sistema nervoso, reduzir inflamações em articulações, em varizes e hemorróidas. Até para o tratamento de esclerose múltipla, asma, gota, artrite e artrose as picadas são eficientes.

Outro proveito são maravilhas oferecidas por elas, como o Própolis: antibiótico utilizado contra inflamações respiratórias e resfriados. E o Mel: além de adoçar naturalmente, é antioxidante e desin- toxicante.

Então, quando se deparar com uma colmeia ou abelha, respeite, tente sair de perto. Elas não atacam em vão. Todo inseto ou animal tem sua função no ecossistema e da maioria deles o homem consegue tirar algum benefício.

 

Por Betta Alencastro.

Texto originalmente publicado na Revista Bora, edição 16, maio de 2016.

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